Sussú: personagem nascido no fim dos anos 70, notavelmente hábil em lambaeróbica e Matemática.
Jujú: personagem com o estranho hábito de, quando embriagada, brincar de kicktetas com as amigas e apertar as bochechas dos casais fofos que se beijam em festas de réveillon. Homônima de um transexual que importunou Sussú no fim da década de 90.
Penimba: inexplicável irritação percebida quando encontramos frequentemente pessoas com as quais temos pouca ou nenhuma intimidade. A peninba é normalmente experimentada por pessoas excessivamente comunicativas com facilidade de cativar o próximo e dificuldade de se entregar a uma paixão.
Intensivão_A_Z: conjunto de encontros ocorridos nos primeiros dias do ano de 2009 que precedia o longo período em que os personagens ficariam afastados geograficamente. Apresento a seguir as aulas e seus respectivos conteúdos
Dia 0 – Aula de Química Orgânica (oxidação de álcool)
Quando Sussú conhece Jujú
Tenho um segredo sobre essa noite. Segredo até hoje não revelado. No dia 31, percebi que havia perdido o convite da festa. Virei minha casa ao contrário e nada. Desesperado, contei pra May que tinha perdido e me arrependi no momento seguinte. O que fazer nessa hora? Não ir mais à festa? Em seguida liguei pra May e, com vergonha de parecer um idiota, menti dizendo que tinha achado o maldito ingresso. Tinha achado nada! Fui ao posto do lado do _A_Z Barra e comprei outro ingresso. Compraria dez vezes o ingresso se eu soubesse o que aconteceria na festa.
Minha musa estava linda de pintinho amarelinho. Ficou mais linda ainda quando o pintinho amarelinho ficou todo molhado de chuva. Já eram 23:45 e tínhamos que pegar as taças de champanhe.
A contagem regressiva da festa foi um fiasco total. Por outro lado, al terminara a frase de Feliz Ano Novo, um beijo bêbado tornou-se meu primeiro ato em 2009. Dizem que o que se faz na hora da virada se repete por todo o ano.
Sua estratégia de passar seu brilho foi no meu rosto tão carinhoso quanto eficaz.
Tenho certeza que a Vodka e o suco Del Valle foram os grandes responsáveis pelo momento mais hilário da noite: o nascimento do meu codinome Sussú!
Dia 1 – Aula de Matemática (teoria de probabilidades)
Quando Sussú descobre que conversar com Jujú é muito gostoso
A dúvida que atormentava minha avantajada cabeça naquela noite era sobre a probabilidade de você aceitar ou não o convite para sair (nerd que é nerd tem que ter dúvidas nerds). Estava eu afobado demais querendo sair com você logo no dia seguinte. E se você recusasse, estaria você fazendo doce ou de fato não queria sair. Usar o horário como desculpa era muito simples se você quisesse recusar. Mas não foi o que aconteceu. Você aceitou! Com ajuda externa, é verdade. Mas não importava.
O passeio por Copacabana em busca de um lugar aberto no primeiro dia do ano proporcionou boas recordações dos momentos engraçados da noite anterior. Em seguida, no Espelunca Chic, as histórias se sucederam até sermos expulsos do bar.
Como pude esquecer nosso passeio pelo Leme? Falamos do seu vestibular. Descobri que algumas aulas você ia porque gostava e outras que você ia porque o professor te fazia rir. Descobri que a minha aula era uma das poucas que você era assídua, menos pela Matemática, mais pela virilha cavada!
Outro dia de beijos bêbados. Prometemos beijos sóbrios da próxima vez.
Dia 2 – Aula de Biologia (digestão)
O primeiro T-bone compartilhado a gente nunca esquece.
Tinha a total confiança na sua moral como ex-funcionária. Tinha certeza de que não ficaríamos muito tempo na fila do outback. Ficamos um tempo razoável na fila, mas, segundo você, pelo menos a mesa que nos foi dada era excelente. Fingi que acreditei. Faz parte do início das relações.
Em certo momento da espera, brinquei dizendo que nossa relação estava ficando muito desgastada e que tínhamos que dar um tempo. Qual não foi a minha surpresa quando escuto exatamente o contrário. Nesse momento, nasce a proposta do Intensivão_A_Z, a sequência de encontros que precederia ao longo período de afastamento!
Você me ligou na volta para casa e acabou por me conquistar com a sua preocupação. Você deve ter lido isso em algum manual!
Dia 3 – Aula de Sociologia (comportamento humano)
Jujú e Sussú expõem seus pontos de vista sobre relacionamentos.
Ansioso, comprei cedo meu ingresso para a Fundição. Era show do Exaltassamba. Que bom que eu gostava! A verdade é que eu iria até se fosse para ouvir Leoni cantar “seus olhos e seus olhares, milhares de tentações...”.
Quase pontualmente, cheguei à sua casa. Você já estava na portaria. Muito me impressiona o fato de sempre termos assunto, muito assunto. Por exemplo, nessa ida à Lapa, conversávamos sobre a obrigação carioca de se gostar da Lapa.
Paramos num estacionamento em que estranhamente se cobra uma taxa extra para conseguir vaga e andamos em direção à Fundição. Senti flutuando nas nuvens enquanto você, segurando minha mão, me guiava pelas ruas da Lapa. Estava feliz demais para estar só nas nuvens!
Ficamos por um tempo lá fora conversando sobre a minha família e o Ensaio Geral. Nunca tinha me aberto tão rápido assim com ninguém, especialmente sobre temas que para mim são tabus.
O show foi maravilhoso, suas palavras. Você me perguntou o que eu achei do show umas dez vezes. Também gostei muito, de verdade. Depois sentamos na escada e então começou a grande discussão sobre relacionamentos. A discussão durou uns quinze funks e uns dez samba-enredos. Disse o quanto significa para você o filme “Na natureza selvagem”.
Mais uma vez, garçons empilhavam cadeiras enquanto saíamos. Mais uma noite de beijos embriagados. Vimos o dia nascer juntos. Pela primeira vez, me senti assustado com a sensação de estar com um relógio em contagem regressiva sempre que te encontrava.
Dia 4 – Dia livre no Intensivão_A_Z
Sussú assiste “Into the wild - society”... Jujú resolve problemas pessoais.
Dia 5 – Aula de História (Nazismo e 2ª Guerra)
Cinema e passeio fofo na Lagoa
Você pára do outro lado da rua, sem ao certo saber onde fica o Espaço de Cinema e eu tenho a certeza de que o abraço que daremos em seguida vai ser o melhor de todos os tempos. Mas você primeiro não me vê. Depois que vê, não consegue atravessar. Enfim atravessa. E me abraça. E eu sou tão seu nesses cinco segundos abraçados que me esqueço momentaneamente do fazia antes, ali, parado na calçada da Rua Voluntários da Pátria.
O garoto do uniforme listrado te faz chorar e soluçar em muitos decibéis. Primeiro fico com pena. Depois fico admirado. Por fim, fico com vontade de te dar mais um abraço.
Hora do passeio fofo na Lagoa, já que a roda-gigante não funcionava. Ao som de Zeca Baleiro e Seu Jorge, começam as histórias de viagens e as grandes revelações artísticas.
Os beijos sóbrios às margens da Lagoa me fazem sentir que você ganha cada vez mais espaço nos meus pensamentos.
Depois nos sentamos no Arab, e voltamos à normalidade etílica. Bem de leve, dessa vez. Voltamos às histórias sobre relacionamentos. Inesquecível sua cara lendo a mensagem da May, no momento da auto-explanação.
Ficamos, mais uma vez, mais de uma hora no carro em frente à sua casa. Mas essa vez foi diferente. Conversávamos sobre namoro e você perguntou o porquê de as pessoas namorarem. Fiquei sem resposta na hora e resolvi perguntar ao meu amigo Google. Ele me deu mais de 2.400.000 respostas. Nenhumas das respostas da primeira página me interessaram e desisti de procurar. Precisamos voltar a essa discussão.
Surge a discussão sobre a penimba. Digo que para mim, a penimba é um mecanismo de auto-defesa, desencadeado pelo pânico da possibilidade da rejeição futura. Pode também não ser.
Vou embora com a sensação de que você tem receio de se comprometer e, pela primeira vez, é a minha vez de recear
Dia 6 – Aula de Direito Penal
Sussú vai ao banco dos réus.
Tá bom, eu confesso. Nem sou tão fã assim de Casuarina. Até entrei no youtube para decorar algumas letras. Estava na expectativa da sua ligação para saber se a sua outra amiga iria ou não. Você não ligou!
Vivia um momento muito feliz no Intensivão_A_Z e de repente estava eu no banco dos réus, acusado de um crime contra a inocência inexistente de uma falsa donzela. Deu muito trabalho provar que não era culpado. Embora absolvido, sinto como se não tivesse sido unânime a decisão.
Ao telefone, deixei de ser Sussú. Fiquei triste, tristinho... (desculpa, só conheço as mais pops)
Dia 7 – Fim do curso
Faltou criatividade pro sub-título
O medo do comprometimento é uma característica comum entre nós dois. Medo que preferimos, enganando a nós mesmos, chamar de desapego.
Não sei o que passa pela sua cabeça agora. Talvez esteja tentando desencadear o processo de criação da penimba. Talvez esteja em dúvida sobre valer a pena ou não estar comigo.
Quero que saiba que foram muito felizes meus últimos dias e que você me encantou profundamente em muito pouco tempo.
Quero também te fazer sentir-se feliz comigo.
Jamais seria leviano com o seu coração.
1)
ResponderExcluirDia 8 - A prova do vestibular
Chega enfim o dia de colocar os conhecimentos em prática
Com o final do curso, Jujú percebe toda a importância do Intensivão.
Reflete sobre as aulas mais dinâmicas, aquelas que ria tanto que não queria que acabassem e também a outra que a fez aprender, especialmente sobre si mesma.
Conclui então que foi um baita de um investimento! Esse tal de A_Z é bom mesmo.
No dia da prova, em que imaginava como seriam certas questões, mesmo batendo o pé ao afirmar que não é daquelas que criam expectativas, foi pega de surpresa.
A aula de Direito Penal não saia de sua cabeça. Tinha prestado especial atenção, porém através dos relatos da sua amiga, uma vez que não pôde estar presente. E nunca é a mesma coisa, né? Queria tanto saber direitinho pela boca do professor..
Esperou até ele ligar no dia da aula e no final do curso, mas nada dele. Que agonia.
2)
ResponderExcluirAi vem a prova! Quando está a ponto de desistir, questionando as aulas do Intensivão, pedindo umas colinhas para as amigas, vem uma luz e tudo se esclarece.
Sim, essa luz pode ser chamada de Blog Sussú e Jujú.
Como aquele blog esperto do A_Z em que colocam as respostas das questões mais complicadas de Matemática, estas que ultimamente estavam rondando seus pensamentos.
Meu coração disparou.
Fiquei como uma criança encantada, com os olhos arregalados e brilhantes olhando pro monitor como se estivesse assistindo o “Xou da Xuxa”. Sorria, sorria, sorria sem parar.
3)
ResponderExcluir"Às vezes quando dá tudo errado, acontecem coisas maravilhosas que jamais aconteceriam se tudo tivesse dado certo"
Todos os jornais e sites de meteorologia afirmavam chuvas fortes para a semana. "Como vou viajar nessa tempestade sem fim? Não, não vou ficar como um pinguim congelado e fudido no meio do nada."
Intrigante como nem pestanejei. Minha melhor amiga implorava para eu viajar, há 3 anos que passamos o reveillon juntas. Totalmente irredutível. Não queria de jeito nenhum, o tempo falou mais alto.
E não é que essas budegas erraram tudo? TUDO. Como é que pode?
Fiquei de loja em loja atrás de uma calcinha vermelha pra passar a virada. Vermelho bem vivo, pra não ter erro. Lá de cima Papai do céu precisa enxergar com nitidez e atender o meu pedido. "Por favor, em 2009 eu quero muita paixão pra minha vida. Paixão saudável, que faça bem para ambos. Paixão que seja recíproca - isso é o mais importante".
ResponderExcluirAi me vem você? Na virada do primeiro dia de 2009? E no dia dois, e no dia três? Era pra ser, Sussú... Não é possível.
Você, ou melhor, nós passamos por cima de várias barreiras chatas de início de relacionamento. Atropelamos! Afinal, como alguém no terceiro dia lança que a relação está desgastada? É papo de final de romance. Com a gente não! Tudo bem que foi tudo pautado em clima de piadas, mas mesmo assim. E outra coisa! Como a pinimba não apareceu, José? Ela que tanto persegue meus casinhos amorosos por ai. Entrou de férias? Graças a Deus, ela estava precisando. E eu também.
ResponderExcluir"Não, não é possível. Não pode ser. O que foi então tudo o que me disse no carro sobre relacionamentos? Mentira? Será que está fazendo como sua ex mulher, vendendo algo que não é real, que não é seu? Não pode ser. Cadê que ele não me liga? Não me diz que tudo isso não passou de uma novela mexicana que uma louca inventou, aumentou, que seja! Terei que esquecer tudo? Voltar a acreditar que professores de cursinho são uma cambada de galinhas, que fazem coleção de alunas?"
ResponderExcluirNão, Sussú. Eu acredito em você.
Vem, vem correndo, por favor.